22 de abr. de 2011

Sexta-feira Santa

Único dia durante o ano em que não se celebra missa, apenas distribui-se a comunhão. Nesta celebração somos convidados a compreender e a viver mais profundamente o mistério da cruz: o sofrimento e a morte assumidos por Cristo foram em vista da nossa salvação. A Paixão segundo o Evangelho de João apresenta a cruz como glorificação de Jesus, ela é sinal de salvação e de vitória (cf. Jo 3, 14). A Cruz é símbolo de Cristo e da vida nova que ele nos oferece, por isso, ao reverenciarmos a cruz nós estamos adorando o próprio Redentor. A Oração Universal rezada nesta celebração nos faz lembrar que Cristo veio para que todos, sem distinção, tivessem vida em abundância.

Sermão das 7 Palavras, descimento do Senhor Morto da cruz e procissão do enterro (Em alguns lugares o povo tem a tradição de dar um beijo na imagem do Senhor morto.) É mais uma oportunidade para evangelizar, fazendo com que a devoção seja mais significativa, através dos vários grupos, movimentos, pastorais, etc. Destacar e dar um significado ao beijo das crianças, dos jovens, dos casais, dos homens e das mulheres, dos idosos, dos doentes, etc. Uma pequena paraliturgia pode ser preparada para este momento, com cânticos penitenciais e fazendo uma ligação com a Campanha da Fraternidade 2011.

3. MOMENTOS FORTES:

Elementos da Celebração
O elemento fundamental e universal da liturgia desse dia é a proclamação da Palavra, uma vez que a Igreja, por antiqüíssima tradição, não celebra hoje a eucaristia. A celebração compõe-se de três partes:

a) A liturgia da Palavra
O evangelho, conforme uma longa tradição é o da Paixão segundo S. João (Jo 18,1-19.42). A Igreja reserva para este dia precisamente pela perspectiva com que o apóstolo apresenta a vida e a morte de Jesus.
A primeira leitura é o texto do profeta Isaías que narra a passagem do servo sofredor ( Is 52,13-53,12). É um trecho do quarto cântico do Servo de Javé. Com esta leitura é oferecida a imagem do Cristo sofredor, conduzido ao matadouro como uma ovelha muda, carregando todos os nossos pecados, causa da nossa justificação.
O Salmo responsorial é tirado do Sl 30, cujo versículo 6 Jesus pronunciou na cruz (Lc 23,46) "... Sou o opróbrio dos meus inimigos... Confio em ti, Senhor... Fazes brilhar tua face sobre teu servo...” A liturgia atribui a Jesus o Salmo inteiro, encontrando nele a descrição de sua paixão e de seu pleno abandono nas mãos do Pai.
A Segunda leitura, é proclamado um trecho da carta aos Hebreus ( 4,14-16;5,7-9). Ela nos mostra Cristo obediente que se torna causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

A.1) Oração Universal
Depois da leitura da Sagrada Escritura e da homilia, a liturgia da Palavra termina com as orações solenes (= Oração universal) segundo o esquema da antiga prece litúrgica: convite, intenções, prece em silêncio, "coleta" (= oração das preces por parte do presidente da assembléia).
São 10 súplicas: pela Igreja, pelo papa, pelas ordens sagradas e por todos os fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos não-cristãos, pelos que não crêem em Deus, pelos governantes e pelos atribulados...
Podemos assinalar a teologia que emerge do lugar que essas orações solenes ocupam depois da proclamação da palavra de Deus. A assembléia, iluminada pela palavra, abre-se à caridade orando pelas necessidades atuais, começando pela Igreja e assim por diante.

b) A adoração da Santa Cruz
Não se oferece o sacrifício eucarístico na Sexta-feira santa. Em lugar da eucaristia fazem-se a apresentação e a adoração da cruz. A atenção da Igreja se fixa no calvário. É um rito que nasce como conseqüência da proclamação da paixão de Jesus. Há nesta veneração o antigo costume de mostrar aos fiéis a cruz, descobrindo-a progressivamente enquanto se canta, três vezes, o Ecce lignum crucis (eis o lenho da cruz), ao que o povo responde: "Vinde, adoremos!" Para a adoração da cruz, aproximam-se os cristãos que exprimem sua adoração pela genuflexão, pelo beijo ou por outros sinais adequados. Ao terminar a adoração, põe-se a cruz sobre o altar, que é símbolo do sacrifício e sacerdócio de Jesus Cristo. A assembléia contempla seu Senhor (Jo 19,37).

C. Liturgia da comunhão
Terminada a liturgia da adoração da cruz, cobre-se o altar com uma toalha e traz-se o Santíssimo Sacramento. O presidente da assembléia adora-o, fazendo uma genuflexão. Pronuncia-se o Pai Nosso e o embolismo seguido da aclamação do povo, como nas missas. Em seguida dá-se a comunhão à comunidade.
Podemos dizer que o significado desta comunhão fundamenta-se em São Paulo, que alude a uma relação profunda e misteriosa entre a comunhão sacramental e a paixão e morte de Cristo. Na 1Cor 11,26 ele lembra: "Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha." A Eucaristia também é participação da morte de Cristo (1Cor10,15-16).
A solene ação litúrgica da paixão e morte do Senhor termina com a oração pós comunhão, que é uma ação de graças pela nova vida que o Pai nos comunicou pela "morte e ressurreição" de seu Filho, e logo em seguida, a oração sobre o povo que menciona junto a morte e a ressurreição, pedindo que "venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme", e o povo se retira em silêncio após esta bênção.

4 - O jejum pascalNesse dia observa-se o jejum chamado "pascal", porque nos faz reviver a passagem ("transitus") da paixão à alegria da ressurreição. É um sinal exterior da participação interior do sacrifício de Jesus (2Cor 4,11), e também como sinal de que chegamos aos dias em que nos tiraram o Esposo (cf. Lc 5,33-35). A tradição desse jejum é antiqüíssima, atestada por Tertuliano e Hipólito que, em Roma, a celebração anual da Páscoa começava com o jejum da Sexta-feira santa e prolongava-se durante todo o Sábado, até a celebração da Vigília na noite entre o Sábado e o Domingo.
A Sacrossanctum Concilium, a constituição sobre a liturgia, prescreve: "Sagrado seja o jejum pascal, a se observar na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor e, se for oportuno, a se estender também ao Sábado Santo, a fim de que se chegue com o coração livre e aberto às alegrias do Domingo da Ressurreição” (SC 110).
O jejum pascal não é um elemento secundário, mas como parte integrante da celebração do tríduo pascal.

20 de abr. de 2011

Oficina de Arteterapia na Comunidade Unidos em Cristo


“As atividades expressivas são aquelas que melhor permitem a espontânea expressão das emoções, que dão mais larga oportunidade para os afetos tomarem forma e se manifestarem, seja na linguagem dos movimentos,dos sons, das formas e das cores” - Nise da Silveira

Segundo a American Art Therapy Association - AATA, (1993 apud CARVALHO, 1995, p. 23), a Arteterapia é definida como:

Arte terapia [...] oferece oportunidades de exploração de problemas e de potencialidades pessoais por meio da expressão verbal e não verbal e do desenvolvimento de recursos físicos, cognitivos e emocionais, bem como a aprendizagem de habilidades, por meio de experiências terapêuticas com linguagens artísticas variadas. [...] A terapia por meio das expressões artísticas reconhece tanto os processos artísticos como as formas, os conteúdos e as associações, como reflexos de desenvolvimento, habilidades, personalidades, interesses e preocupações do paciente. O uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode ser um meio, tanto de reconciliar conflitos emocionais como de facilitar a autopercepção e o desenvolvimento pessoal.

A oficina de arte terapia realizada na Comunidade Unidos em Cristo visa a restauração das emoções do indivíduo, sendo uma possibilidade de resgate dos potenciais que talvez estejam adormecidos, sendo necessário que venha a tona o reconhecimento da própria capacidade de criação para que este indivíduo possa ter a oportunidade de uma melhor qualidade de vida.

O trabalho é direcionado a oficinas com vivências e expressões artísticas como musica, dança, pintura, modelagem, desenho, entre outras, com um grupo heterogêneo de seis pessoas direcionando o trabalho ao resgate de seus potenciais. O encontro tem duração de 3horas e é realizado uma vez por semana. É composto por um momento de sensibilização (musica, dança ou relaxamento), desenvolvimento da atividade (vivencias diversas), partilha do trabalho e fechamento.

Portanto o objetivo desta oficina é restaurar a essência da pessoa, sua história de vida e dar novo significado através das vivencias expressivas. Os encontros promovem o auto-conhecimento, ressalta potenciais e fortale auto-estima e auto imagem.

Como surgiu a oficina de arte terapia na Comunidade unidos em Cristo:


Através do chamado do Senhor em minha vida em 2007 que se deu com certeza com a condução da Trindade Santa e da Virgem Maria. Neste tempo todo venho sendo impulsionada pela espiritualidade que ainda está se desenvolvendo e que vem me fortalecendo no servir através desta Comunidade ao projeto de Deus e que desde o início tive o apoio dos fundadores que já tinham em seu coração este trabalho com a arte.
A primeira oficina que tive a oportunidade de realizar foi no final de 2007, portanto ja são quatro anos de muitas emoçoes e revelaçãoes através deste trabalho. A Comunidade que tem como carisma a restauração do ser humano nas dimensões corpo, alma e espírito, no contexto bio-psico-social e espiritual, através da cura interior, promovendo a auto-imagem, resgatando a dignidade humana e trabalhando a auto-estima, buscando levar o indivíduo a sua essência “o amor”. Este carisma vem de encontro com a proposta desta oficina e com certeza esta experiência inicial na comunidade direcionou meu trabalho de forma a ter uma intimidade muito grande com essa proposta, dando a certeza de que este já era um projeto que estava no coração de Deus desde a minha concepção,e que não foi uma mera coincidência, pois segundo as Suas palavras: “antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conheci; antes que você fosse dado à luz, eu o consagrei, para fazer de você profeta das nações” (Jeremias 1, 4-5); “E agora, bendigam o Deus do universo, que realiza por toda parte coisas grandiosas. Ele exaltou os nossos dias desde o seio materno e age conosco segundo a sua misericórdia” (Eclesiástico 50, 22), me da a certeza de que este encontro não é mera coincidência e sim projeto de Deus, vivenciado e comprovado em cada grupo realizado. Portanto a experiência vivenciada neste espaço santo me fez perceber que o ser-humano apesar de todos seus conflitos, dificuldades mais profundas tem possibilidade de chegar à restauração, tendo oportunidade de voltar ao estágio inicial superando suas misérias e reconstituindo sua dignidade, através do poder de sua fé e da crença em Deus que nos conduz e a quem, podemos confiar tudo o que somos e o que contemos no mais profundo do nosso ser.

Lurdes - Psicóloga e serva responsável pela oficina de Arte Terapia da Comunidade Unidos em Cristo

17 de abr. de 2011

O que é Arte Terapia?

Arteterapia é um processo terapêutico que se serve do recurso expressivo a fim de conectar os mundos internos e externos do indivíduo, através de sua simbologia. Variados autores definiram a Arteterapia, todos com conceitos semelhantes no que diz respeito à auto-expressão. É a arte livre, unida ao processo terapêutico, que transforma a Arteterapia em uma técnica especial.
Arteterapia distingue-se como método de tratamento psicológico, integrando no contexto psicoterapêutico mediadores artísticos. Tal origina uma relação terapêutica particular, assente na interacção entre o sujeito (criador), o objecto de arte (criação) e o terapeuta. O recurso à imaginação, ao simbolismo e a metáforas enriquece e incrementa o processo.

ORIGENS:
O uso de recursos artísticos com finalidades terapêuticas começa a ser incentivado no início do século XIX, pelo médico alemão Johann Christian Reil, contemporâneo de Pinel. Este profissional estabeleceu um protocolo terapêutico, com finalidade de cura psiquiátrica onde incluiu o uso de desenhos, sons, textos para estabelecimento de uma comunicação com conteúdos internos. Estudos posteriores traçaram relações entre Arte e Psiquiatria, sendo que um profissional que também utilizou o recurso da arte aplicado à Psicopatologia foi Carl Jung, que passou a trabalhar com o fazer artístico, em forma de atividade criativa e integradora da personalidade:
"Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida" (Jung, 1920).
No Brasil, podem ser elencados os trabalhos desenvolvidos por Ulysses Pernambucano já no início do século XX, trabalho que estimulou a escrita da monografia de Silvio Moura, apresentada em 1923 e intitulada como "Manifestações artísticas nos alienados". Outro nome de importância é Osorio Cesar, que desenvolveu sua prática e pesquisas no Hospital do Juquery, na cidade de Franco da Rocha-SP. Publicou em 1929 o livro "A expressão artística nos alienados", onde propõe uma forma de compreender as produções artísticas destes indivíduos. No hospital é inaugurada, oficialmente, a Oficina de Pintura em 1923 e a Escola Livre de Artes Plásticas em 1949. Outro nome importante no país é de Nise da Silveira, que desenvolveu seu trabalho no Hospital Engenho de Dentro no Rio de Janeiro.
Quanto ao campo e nomeação das práticas realizadas no Brasil como Arteterapia, tem-se o início deste campo por volta da década de 1960, com a vinda de Hanna Kwiatkowska. Hoje este campo se ampliou, com a Arteterapia estando inserida em diversos campos e com a formulação, proposta pela União Brasileira das Associações de Arteterapia - UBAAT, de critérios mínimos que norteiam a formação deste profissional.

CONCEITOS:
O uso de recursos artísticos com finalidades terapêuticas começa a ser incentivado no início do século XIX, pelo médico alemão Johann Christian Reil, contemporâneo de Pinel. Este profissional estabeleceu um protocolo terapêutico, com finalidade de cura psiquiátrica onde incluiu o uso de desenhos, sons, textos para estabelecimento de uma comunicação com conteúdos internos. Estudos posteriores traçaram relações entre Arte e Psiquiatria, sendo que um profissional que também utilizou o recurso da arte aplicado à Psicopatologia foi Carl Jung, que passou a trabalhar com o fazer artístico, em forma de atividade criativa e integradora da personalidade:
"Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida" (Jung, 1920).
No Brasil, podem ser elencados os trabalhos desenvolvidos por Ulysses Pernambucano já no início do século XX, trabalho que estimulou a escrita da monografia de Silvio Moura, apresentada em 1923 e intitulada como "Manifestações artísticas nos alienados". Outro nome de importância é Osorio Cesar, que desenvolveu sua prática e pesquisas no Hospital do Juquery, na cidade de Franco da Rocha-SP. Publicou em 1929 o livro "A expressão artística nos alienados", onde propõe uma forma de compreender as produções artísticas destes indivíduos. No hospital é inaugurada, oficialmente, a Oficina de Pintura em 1923 e a Escola Livre de Artes Plásticas em 1949. Outro nome importante no país é de Nise da Silveira, que desenvolveu seu trabalho no Hospital Engenho de Dentro no Rio de Janeiro.
Quanto ao campo e nomeação das práticas realizadas no Brasil como Arteterapia, tem-se o início deste campo por volta da década de 1960, com a vinda de Hanna Kwiatkowska. Hoje este campo se ampliou, com a Arteterapia estando inserida em diversos campos e com a formulação, proposta pela União Brasileira das Associações de Arteterapia - UBAAT, de critérios mínimos que norteiam a formação deste profissional.

OBJETIVOS:
Arteterapia tem como principal objetivo atuar como um catalisador, favorecendo o processo terapêutico, de forma que o indivíduo entre em contato com conteúdos internos e muitas vezes inconscientes, normalmente barrados por algum motivo, assim expressando sentimentos e atitudes até então desconhecidos.
Arteterapia resgata o potencial criativo do homem, buscando a psique saudável e estimulando a autonomia e transformação interna para reestruturação do ser. Propõe-se então, a estruturação da ordenação lógica e temporal da linguagem verbal de indivíduos que preferem ou de outros que só conseguem expressões simbólicas. A busca da terapia da arte é uma maneira simples e criativa para resolução de conflitos internos, é a possibilidade da catarse emocional de forma direta e não intencional.